Ondas de choque e tendão de Aquiles

Ondas de choque e tendão de Aquiles

Tratamento da tendinopatia de Aquiles por ondas de choque

ONDAS DE CHOQUE E TENDINOPATIA DE AQUILES

O que é a tendinopatia de Aquiles?

A tendinopatia de Aquiles é uma afecção degenerativa do tendão calcâneo, o mais volumoso e o mais solicitado do corpo humano. Manifesta-se por uma dor progressiva na parte posterior do tornozelo, agravada pela actividade física e aliviada pelo repouso. É uma patologia frequente nos corredores, mas afecta igualmente pacientes não desportistas.

Distinguem-se duas formas principais:

  • Tendinopatia corporeal (ou do corpo do tendão): afecção da porção média do tendão, a 2-6 cm acima da inserção calcânea. É a forma mais frequente, frequentemente caracterizada por um espessamento fusiforme do tendão.
  • Tendinopatia insercional: afecção na inserção do tendão no calcâneo. Pode acompanhar-se de uma calcificação entesopática (esporão calcâneo posterior) e de uma bursite retrocalcânea.

As consultas têm lugar no gabinete situado no 9 Rue du Regard, 75006 Paris, no 6.º arrondissement.

PORQUE É QUE A TENDINOPATIA DE AQUILES SE TORNA CRÓNICA?

O tendão de Aquiles está sujeito a tensões mecânicas consideráveis: até 6 a 8 vezes o peso do corpo durante a corrida. Quando a carga aplicada ultrapassa repetidamente a capacidade de adaptação do tendão, instala-se um processo degenerativo. Os estudos histológicos mostram uma desorganização das fibras de colagénio, uma neovascularização patológica e um aumento da substância fundamental (tendinose).

Este processo degenerativo é diferente de uma inflamação clássica, o que explica por que razão os anti-inflamatórios têm uma eficácia limitada e por que razão a patologia tende a persistir se a carga mecânica não for adaptada.

MECANISMO DE ACÇÃO DAS ONDAS DE CHOQUE SOBRE O TENDÃO DE AQUILES

As ondas de choque radiais actuam sobre o tendão degenerativo por várias vias complementares:

  • Estimulação da neovascularização: as ondas acústicas favorecem a formação de novos vasos sanguíneos no tendão, melhorando o aporte de oxigénio e de factores de crescimento necessários à reparação tecidular.
  • Activação da síntese de colagénio: a estimulação mecânica do tendão favorece a produção de colagénio de tipo I, essencial à reestruturação da matriz tendinosa.
  • Modulação da dor: as ondas de choque actuam sobre as terminações nervosas nociceptivas e contribuem para reduzir a percepção dolorosa.
  • Regressão da neovascularização patológica: os neovasos anormais associados à dor crónica podem ser visados pelas ondas de choque, favorecendo uma reestruturação tecidular mais organizada.

PROTOCOLO DE TRATAMENTO

O protocolo compreende geralmente 3 a 5 sessões, espaçadas de 7 a 10 dias. Cada sessão dura aproximadamente 5 a 10 minutos. A zona dolorosa é localizada por palpação e a intensidade é ajustada progressivamente em função da tolerância do paciente.

As ondas de choque são indicadas quando a tendinopatia persiste há mais de 3 meses apesar do repouso relativo, da adaptação da carga de treino e dos exercícios de reabilitação. Podem ser associadas a um programa de exercícios excêntricos.

ASSOCIAÇÃO COM OS EXERCÍCIOS EXCÊNTRICOS

O protocolo de Alfredson (exercícios excêntricos do tríceps sural) é uma das abordagens mais bem documentadas para a tendinopatia de Aquiles corporeal. Consiste em exercícios de descida controlada na borda de um degrau, realizados diariamente durante 12 semanas.

A associação das ondas de choque e dos exercícios excêntricos pode proporcionar um benefício superior a cada tratamento isoladamente. As ondas de choque estimulam a reparação tecidular ao nível celular, enquanto os exercícios excêntricos optimizam a organização das fibras de colagénio em resposta à carga mecânica.

ABORDAGEM OSTEOPÁTICA ASSOCIADA

A tendinopatia de Aquiles inscreve-se frequentemente num contexto biomecânico mais amplo. A avaliação osteopática permite identificar os factores contributivos:

  • Mobilidade do tornozelo: uma limitação da dorsiflexão (frequentemente ligada a uma rigidez do solear ou do gastrocnémio) aumenta as tensões sobre o tendão de Aquiles.
  • Biomecânica do pé: pronação excessiva do retropé, rigidez do médio-pé, insuficiência dos músculos intrínsecos do pé.
  • Cadeia posterior: as restrições de mobilidade ao nível da bacia, dos isquiotibiais ou da coluna lombar podem modificar a repartição das cargas no membro inferior.
  • Análise da passada: avaliação da técnica de corrida e do calçado, em particular o drop (desnível calcanhar-antepé).

A abordagem combinada (ondas de choque, exercícios excêntricos, tratamento osteopático e adaptação da carga) oferece a abordagem mais completa da tendinopatia de Aquiles crónica.

PERGUNTAS FREQUENTES

As ondas de choque são eficazes para a tendinopatia de Aquiles?

Vários estudos e meta-análises demonstraram que as ondas de choque radiais são eficazes no tratamento da tendinopatia de Aquiles crónica, em particular a forma corporeal. Os resultados são geralmente avaliados aos 3-6 meses e mostram uma melhoria significativa da dor e da função.

É possível correr durante um tratamento por ondas de choque do tendão de Aquiles?

A corrida é geralmente desaconselhada durante a duração do protocolo, sobretudo se provocar dores. Uma retoma progressiva é planeada em função da evolução clínica. Actividades com menor impacto (bicicleta, natação) podem ser mantidas se forem bem toleradas.

Quantas sessões de ondas de choque são necessárias para tratar um tendão de Aquiles?

O protocolo habitual compreende 3 a 5 sessões, espaçadas de 7 a 10 dias. Os efeitos biológicos prosseguem durante várias semanas após a última sessão, e a melhoria máxima pode ser observada 3 a 6 meses mais tarde.

Referências

  • Mani-Babu S, Morrissey D, Waugh C, Screen H, Barton C. (2015). The effectiveness of extracorporeal shock wave therapy in lower limb tendinopathy: a systematic review. The American Journal of Sports Medicine, 43(3):752-761. PMID 24817008
  • Rompe JD, Nafe B, Furia JP, Maffulli N. (2007). Eccentric loading versus eccentric loading plus shock-wave treatment for midportion Achilles tendinopathy: a randomized controlled trial. The American Journal of Sports Medicine, 35(10):1659-1667. PMID 17609527

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Arnaud Marguin — Osteopata D.O.

Diplomado pela Escola de Osteopatia de Genebra (2006)

Inscrito no General Osteopathic Council (GOsC) — n.º 8938

Membro do Registre des Ostéopathes de France (ROF)

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